A educação ambiental para conservação marinha

Em 1972, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, realizada na cidade de Estocolmo, na Suécia, a sociedade começou a discutir as conseqüências do agravamento dos problemas ambientais no mundo, e os governos definiram que a estratégia para modificar essa realidade deveria ser baseada na educação. Estava criado então o termo “Educação Ambiental”.

Um passo importante para a Educação Ambiental no Brasil foi à institucionalização da Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA) por meio da lei federal de nº 6.938 de 31 de agosto de 1981, que apresenta a necessidade de inserção da Educação Ambiental em todos os níveis de ensino. A constituição brasileira, reformada em 1988, também destinou um capítulo para tratar da temática meio ambiente – capítulo VI, artigo 225. E no § 1º, VI , diz que a educação ambiental deve ser promovida em todos os níveis de ensino com o objetivo de preservar o meio ambiente.

Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente (2002), a prática da educação ambiental, no contexto da Zona Costeira e Marinha ainda encontra-se em fase inicial. Tendo em vista todos os impactos negativos aos quais a Zona Costeira e Marinha encontra-se submetida atualmente, torna-se fundamental a consolidação de propostas que considerem a educação ambiental como uma ferramenta capaz de mobilizar os diferentes segmentos da sociedade, envolvendo-os nas ações de gerenciamento desses ecossistemas (Biodiversidade Brasileira. MMA. Brasília-DF, 2002).

A educação ambiental nas escolas contribui para a formação de cidadãos conscientes, aptos para decidirem e atuarem na realidade socioambiental de um modo comprometido com a vida, com o bem-estar e o meio ambiente. Para isso, é importante que, mais do que informações e conceitos, a escola se disponha a trabalhar com atitudes, com formação de valores e com mais ações práticas do que teóricas para que o aluno possa aprender a amar, respeitar e praticar ações voltadas à conservação ambiental. Em Tamandaré o conhecimento local sobre o meio ambiente é rico e diverso, construído através de séculos de convívio (Santos e Ferreira, 2000), e sendo assim este resgate e valorização da cultura ambiental local pode também representar emponderamento da sociedade local para cidadania, através da reconstrução de uma identidade praieira que vem sendo modificada recentemente pela intensa especulação imobiliária e impactos sociais e ambientais do turismo desordenado.

Os professores, mas também os atores locais e personagens da cultura, como jangadeiros e pescadores, podem ser mediadores das questões ambientais, e se transformarem em  agentes na preservação e resgate da mentalidade costeiro-marinha e marítima da região.