A criação de Reservas Marinhas é atualmente uma iniciativa de manejo comum e aceita mundialmente como estratégia eficiente de conservação e recuperação de ecossistemas marinhos.  Seus benefícios têm sido amplamente documentados e incluem o aumento na abundância e biomassa de plantas e animais, além do aumento na densidade e diversidade de espécies, bem como da produtividade do extrativismo.  

     Em termos de conservação marinha, a criação de reservas marinhas sustenta dois fortes argumentos.  Um deles é o fato de que organismos livres da pressão da pesca alcançam maiores tamanhos, e que organismos maiores produzem mais descendentes para recompor localmente a biodiversidade e o equilíbrio ecológico.  Outro forte argumento em favor das reservas marinhas é um fenômeno conhecido como "spillover" que, em termos práticos, significa que uma maior produção interna na reserva promove a exportação de larvas, juvenis e adultos para a colonização de áreas além das fronteiras das reservas.

     Este efeito é tão claro que, comumente, a comunidade pesqueira local rapidamente percebe o aumento de produção e concentra o esforço pesqueiro junto às fronteiras da reserva marinha.  O "spillover" indica um avançado estágio de recuperação, a partir do qual, a competição por espaço, recursos e fenômenos de recrutamento, caracterizam as reservas marinhas como verdadeiras zonas de dispersão de biodiversidade costeira e marinha.

     O Projeto Recifes Costeiros foi criado a partir de um esforço conjunto entre o Departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco (DOCEAN/UFPE) e do Centro de Pesquisa e Gestão dos Recursos Pesqueiros do Litoral Nordeste (CEPENE- ICMBio), com o objetivo de executar pesquisa marinha e experimentos de gestão ambiental para subsidiar uma estratégia de recuperação e conservação dos ecossitemas da Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais. 

     O projeto em sua concepção adotou como principal estratégia de atuação a realização de experimentos de manejo como ferramenta de demonstração da necessidade do ordenamento do extrativismo e uso dos recifes da APA Costa dos Corais.  Um desses experimentos foi a criação de reservas marinhas.

     Desde a criação da reserva marinha de Tamandaré em 1999, o Projeto Recifes Costeiros busca parcerias e colaboradores para garantir, com base na participação comunitária local, a manutenção do controle do uso e monitoramento ecológico da área de forma contínua, e assim descrever através de uma experiência local de longo prazo, a efetividade da criação de reservas marinhas no processo de recuperação dos recifes de coral da região e para a sustentabilidade das pescarias.

     Os excelentes resultados hoje vistos na área fechada de Tamandaré são fruto exclusivo da parceria entre a UFPE, o CEPENE, a comunidade pesqueira local e várias organizações parceiras que colaboraram no passado e as que colaboram atualmente com a manutenção do experimento.

     Ao longo dos 16 anos de implantação desse experimento, inúmeros trabalhos descreveram o processo de recuperação das comunidades recifais e reversão do quadro de degradação ambiental, em termos de recuperação dos estoques de peixes e invertebrados, estrutura das comunidades e integridade topográfica dos recifes.  Além da importância local, a reserva de Tamandaré hoje tem uma grande importância como “área ecológica de referência” para a comparação com o processo de recuperação de outras reservas marinhas que eventualmente sejam criadas ao longo da costa de Pernambuco e Alagoas, ou com outras áreas desprovidas de ordenamento de uso.

     Os resultados obtidos com a proibição da extração de recursos, da visitação e do tráfego de embarcações, além de terem sido cientificamente documentados, são facilmente observáveis quando se visita ou se documenta com vídeo subaquático a área fechada.

     A eficiência ecológica da área fechada de Tamandaré tem sido avaliada desde sua criação através de técnicas de pesquisa que basicamente comparam a diversidade e abundância de organismos recifais dentro da área e em áreas adjacentes abertas.

     Diante dos resultados do experimento, pode-se afirmar que os benefícios ambientais e sócio-econômicos de reservas marinhas podem compensar seus custos de implantação e manutenção. Esses benefícios além de incentivar as iniciativas locais para a conservação, permeiam a cadeia produtiva local da pesca e do turismo, e representam uma poderosa ferramenta na educação e da política ambiental marinha no Brasil. 

     A presente proposta é constituída de  03 metas que se complementam nos objetivos, atividades e em termos orçamentários.  Grande parte dos recursos solicitados serão utilizados para a pagamento de pessoal qualificado da comunidade local para as atividades náuticas e de monitoramento de rotina do projeto. 

As metas

  1. Continuidade do monitoramento do uso, sinalização dos limites e monitoramento ecológico da Área Fechada de Tamandaré e dos recifes do entorno.
  2. Implantação de um novo sistema de monitoramento remoto subaquático e fora da água (Área Fechada de Tamandaré “Ao Vivo”)
  3. Avaliação da pesca no entorno da Área Fechada de Tamandaré: Quantificação do aumento da produção pesqueira local, e comparação com dados pretéritos.